Sociedade invisível. Preconceitos e Bullings

Saiba porque algumas pessoas com dificuldade de concentração sofre preconceitos e bullings.

Não é raro encontrar pessoas com depressão por causa do bulling e exclusão social ou em qualquer outro círculo social.

Antes de tudo, devemos entender o que é bulling e o que ele causa: bulling é um não enquadramento nas “regras” da sociedade, onde se dita uma regra e você não se encaixa. Regras essas ditadas por não sei quem, espalhadas por não sei quem, que a sociedade acha e acredita que todos devem seguir o mesmo padrão. Isso ocorre em várias situações como por exemplo: estar fora do peso, a cor da pele, o estilo pessoal diferente, o bairro onde mora, o carro que tem ou não, enfim uma série de outros itens que poderá ser abordado em um outro artigo. E as consequências? Muitas! Para quem é excluído dessa “falsa” ideologia que devemos ser o que nos é colocado, gera uma série de doenças emocionais como: transtornos, compulsão alimentar, drogas, decepções, dores, conflitos internos (onde a pessoa chega a questionar sua existência), ansiedade, insônia, baixa autoestima, repressão, depressão e muitos ao suicídio.

A exclusão se dá a partir do momento que a sociedade acha que você não é o perfil para aquele ambiente. Que a roupa que você usa não tem a marca tal, que você não frequenta tal lugar, ou que você não tem dinheiro para tal. Então você não é bem vindo. Mas ninguém irá dizer pra ti. Irão te deixar para escanteio, não vão se aproximar para conversar, não vão te fazer convites para nenhuma festa ou evento, não vão convidar seu filho para nada. Isso é em todos os lugares, seja na escola, na igreja, na empresa ou em qualquer círculo de pessoas.

É claro que não vamos generalizar, pois existem pessoas fantásticas, que enxergam o outro como ser humano e não como uma cédula de dinheiro. Mas estamos falando dos excluídos aqui. E numa sociedade onde alguém dita regras e tem uma manada desenfreada que segue à risca, pessoas estão sendo apagadas, anuladas, se auto sabotando, se mutilando, se suicidando…

Quando falo de exclusão, estou falando das pessoas que vivem à margem da sociedade, abandonados pelos pais, com alguma deficiência, dependência química, entre outros.

As pessoas com dificuldade de concentração, não necessariamente tem algum déficit patologicamente falando, mas a desordem na cabeça, a falta de foco, se dá a grande carga que a vida tratou de colocar nas costas dessas pessoas. Como terá concentração em qualquer coisa que seja, se o seu peso atrapalha? As empresas não conseguem ver o tamanho da sua dor, o professor não tem bola de cristal para adivinhar o que se passa dentro do aluno, ninguém anda com uma placa avisando que é excluído.

Falta percepção de muitos empresários ao olhar para seus funcionários e conseguir perceber que tem um ser humano normal, mas com uma dor imensa no peito. A empresa tem culpa? Não! Mas a humanidade está doente, e segundo a OMS, até 2020 a depressão será a doença que mais vai matar. Falta percepção na humanidade para compreender a dor alheia.

Essas pessoas, na desordem que se encontra, não conseguem sair da inércia, pois o peso é grande.

A sociedade faz vistas grossas para o que acontece ao lado, porque o egocentrismo grita dentro das pessoas, impedindo de ouvir o grito de socorro da humanidade. A exclusão não tem uma idade exata para acontecer, muitas vezes acontece já no nascimento e perpetua para a vida.

Falta conscientização de várias partes, mas se cada um de nós fazermos um pouquinho, muito se terá feito. Falta amor, compreensão, paciência, para ouvir o que o outro necessita. E muitos dos que precisão ser ouvidos podem estar dentro da sua própria casa, pode ser seu filho, seu irmão, seu vizinho, seu colega de trabalho. Basta olhar ao redor e encontrará uma pessoa esperando por uma palavra de consolo, um bom dia como vai você? Talvez você seja a única pessoa que ela vai falar no seu dia.

Façamos nossa parte, façamos por nós, sejamos gratos pelo que nos foi concedido e por termos a oportunidade de olhar ao redor e poder acolher o próximo, seja com uma palavra de carinho, um bom dia, um afeto, um abraço…

Mas seja humano, lembre-se que você poderia estar do outro lado.

Psicanalista Claudina Granzotto

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