DEPRESSÃO E SUICÍDIO NA ADOLESCÊNCIA.

Se estima que ao final da adolescência em torno de 20% dos jovens terão apresentado um episódio de depressão ao longo do tempo.

A depressão é uma importante causa de incapacidade na vida dos jovens. Antes da puberdade, a depressão é pouco comum e acomete de uma forma mais ou menos equivalente meninos e meninas. A depressão é mais comum a partir da puberdade e então passa a cometer mais frequentemente as meninas do que os meninos e essa proporção se mantém ao longo do tempo. Pensa que fatores genéticos se relacionam ao surgimento da depressão, ou seja história familiar de depressão ou de outros transtornos mentais, alterações ou fatores de risco precoces no início da vida, como por exemplo prejuízos na interação mãe-bebê, depressão materna no primeiro ano de vida, exposição a eventos de vida negativos, exposição a situações de estresse intenso como negligência emocional, física, abuso, maus tratos. São importantes na adolescência situações relacionadas ao convívio com amigos, então estressores sociais bullying, são fatores de risco também bem importantes para o surgimento da depressão.

A depressão se caracteriza por sintomas emocionais, sintomas cognitivos e sintomas volitivo. Sintomas emocionais são então a tristeza e ou irritabilidade. Nos adolescentes com freqüência a irritabilidade está presente nas tristezas ou também perda de prazer, perda de interesse pelas atividades por aquilo que normalmente a pessoa tem interesse e gosta. Além das alterações de humor, sintomas como alterações de sono, alterações de apetite, desatenção, sensação de cansaço, sensação de falta de propósito, uma visão negativa sobre si mesmo e sobre o futuro, pensamentos de morte ou pensamentos suicidas.

Todos eles são os sintomas que a compõem o quadro da depressão. A depressão é um fator de risco importante para o suicídio, existem outros transtornos mentais que também aumentam o risco para o suicídio. Mas como a depressão é muito frequente na população, então ele passa a ser um fator de risco bem importante em termos populacionais. A princípio o suicídio é a segunda causa de morte entre jovens entre 15 e 24 anos de idade no mundo. No brasil é a segunda causa de morte em função do alto número de homicídios que nós temos no país.

O suicídio é um quadro complexo e envolve fatores de risco, ou seja, distantes do momento em que ele ocorre e envolvem padrões cognitivos e emocionais que vão se estabelecendo ao longo do tempo, envolve fatores de risco mais proximais e envolvem gatilhos desencadeantes para que ocorra. Entre os fatores de risco, tem a história familiar de suicídio que é um fator bastante importante, situações como abuso, maus tratos na infância também são fatores consideráveis. Padrões como a perfeccionismo, a alta exigência em relação a si mesmo ou de terceiros, são fatores de risco importantes, transtornos mentais como depressão entres outros transtornos.

Outro fator de risco muito importante, é o abuso de substâncias; ele freqüentemente se associa ao suicídio, seja principalmente como um desencadeante ou a partir do abuso das substâncias, há uma liberação do comportamento e eventualmente o suicídio ocorre.

A impulsividade é outra característica importante associada ao suicídio, há uma configuração de fatores de risco e muitas vezes o suicídio ocorre pela disponibilidade de métodos letais e que na ausência daqueles métodos, naquele momento eventualmente não ocorreria. Isso é importante em termos de estratégias de prevenção ou seja, estratégias que limitem o uso de métodos letais.

A população, são peças importantes nas estratégias de prevenção do suicídio, da mesma forma programas de informação e para toda comunidade de uma forma geral, comunidades menores como escolas, universidades podem promover programas específicos relacionados ao bem-estar em saúde mental, ou mesmo a identificação daqueles indivíduos de maior risco, para que então eles possam receber uma intervenção focada e uma redução do risco de suicídio.

Existem uma série de mitos sobre o suicídio e esses mitos são barreiras para que as pessoas possam de fato receber ajuda ou oferecer ajuda. Então mitos como por exemplo: se eu perguntar, se eu falar sobre suicídio para alguém que já falou sobre isso que está deprimido eventualmente eu posso dar uma ideia para que essa pessoa acometa suicídio. Isso não é verdade, as pessoas querem falar sobre os seus sentimentos freqüentemente e se sentem sozinhas, isoladas, e alguém disponível para ouvir e que de fato queira ajudar, pode ser muito importante, pode ser decisivo para que o suicídio não aconteça.

Um outro mito importante é de que, quem fala sobre o suicídio na verdade não comete, e esse é um equívoco importante, porque boa parte das pessoas que cometem suicídio buscaram de alguma forma ajuda no mês anterior, mas não foram reconhecidas ou eventualmente não foram valorizados os seus pensamentos e a sua comunicação.

Então se de fato, alguém fala sobre o suicídio, é algo que nós precisamos prestar bastante atenção e oferecer a ajuda necessária.

Psicanalista Claudina Granzotto

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