Depressão pode afetar o cérebro profundamente!

A depressão tem o poder de afetar quem sofre com o problema de maneiras profundas. O potencial destrutivo desse estado mental é evidente, e infelizmente, muitas pessoas acreditam que seja perda de tempo dar atenção à esta condição. As evidências mostram que cada vez mais, a depressão não só causa um distúrbio biológico que traz problemas imediatos, como também com o tempo, altera o cérebro de uma maneira que os tratamentos disponíveis no mercado atualmente se tornam ineficazes.

Um estudo feito com 80 participantes; 25 com depressão não tratada por mais de 10 anos, 25 com depressão por menos de uma década, e 30 nunca foram diagnosticados com a doença. Todos passaram por uma tomografia com emissão de pósitrons, com o intuito de localizar um tipo específico de proteína que só é gerada quando ocorre uma inflamação cerebral em resposta a alguma lesão ou doença.

Uma quantidade equilibrada desta inflamação nos protege contra doenças e auxilia na recuperação de nossa saúde. Mas esta inflamação em grandes quantidades causam problemas cardíacos e doenças neurodegenerativas, como Alzheimer e Parkinson. E o dado preocupante é que nesse experimento, a proteína resultante desse processo inflamatório encontrava-se em grandes níveis em várias partes do cérebro do grupo que sofria por mais tempo com a depressão, como no córtex pré frontal, área responsável pelos comportamentos e pensamentos complexos.

Estudos anteriores já mostraram que ela pode levar à diminuição do hipocampo, região do cérebro responsável pela memória. No entanto, uma nova pesquisa publicada no periódico The Lancet  Psychiatry descobriu que, quando não tratada, a doença pode inflamar o cérebro.

Os episódios depressivos recorrentes reduzem o tamanho do hipocampo, área do cérebro responsável pela formação de emoções e da memória. Sua memória não está apenas restrita a lembrar de datas e senhas, ela também é importante no desenvolvimento e na manutenção do seu senso de individualidade. Um hipocampo menor significa perda da função emocional e comportamental. A inflamação crônica pode ser o fator de risco adjacente mais importante para a depressão e quase todos os tratamentos eficazes de depressão também abordam a inflamação.

As raízes inflamatórias da depressão

Ao contrário da crença popular, a depressão provavelmente não é causada por substâncias químicas em desequilíbrio no cérebro; no entanto, existem vários outros fatores biológicos que parecem ser altamente importantes. A inflamação crônica é um deles. Os cientistas também descobriram que a saúde mental pode sofrer impactos negativos por fatores como deficiência de vitamina D e/ou flora intestinal em desequilíbrio — casualmente, as duas têm o papel de manter as inflamações sob controle, que é o que faz o remédio para depressão.

O açúcar é um dos ingredientes mais inflamatórios na sua alimentação

É praticamente impossível tratar a inflamação sem observar o papel do açúcar, encontrado amplamente na maioria dos alimentos processados.

Além de estimular a inflamação crônica, o consumo de açúcar refinado pode exercer um efeito tóxico, contribuindo para a resistência à insulina e leptina e à sinalização prejudicada, que exerce um papel importante na sua saúde mental.

O açúcar também suprime a atividade de um hormônio importante do crescimento chamado BDNF (fator neurotrófico derivado do cérebro), que ajuda a manter os neurônios do cérebro saudáveis.

Os níveis de BDNF são extremamente baixos na depressão e na esquizofrenia, sugerindo, segundo estudos com animais, que podem ser a verdadeira causa.

Em 2004, o pesquisador e psiquiatra britânico Malcolm Peet publicou uma análise intercultural polêmica sobre a relação entre a alimentação e a doença mental. Sua principal descoberta foi uma ligação forte entre o alto consumo de açúcar e o risco de ter depressão e esquizofrenia.

Outro estudo publicado em 2007 mostrou que a inflamação pode ser mais do que apenas outro fator de risco da depressão. Ela pode, de fato, ser o fator de risco que sustenta todos os outros.

O consumo de alimentos reais pode ser o segredo para o sucesso no tratamento da depressão

As evidências mostram claramente que sua alimentação tem um papel fundamental na saúde mental, seja para o bem ou para o mal. Portanto, se você está sofrendo de depressão, alterações de humor ou sente que começa a ficar triste, sugiro que observe o que você está comendo. O segredo é comer alimentos reais, preferivelmente orgânicos (para evitar a exposição a produtos químicos) e cultivados localmente (para ser o mais fresco possível).

Certifique-se também de comer boas quantidades de alimentos fermentados e em conserva, que ajudam a nutrir as bactérias benéficas do seu intestino. Alguns bons exemplos são as hortaliças fermentadas de todos os tipos, inclusive chucrute e kimchi, kombucha (uma bebida fermentada) e alimentos probióticos ricos em fibras como a jicama (batata mexicana).

A melhoria da flora intestinal parece ser crucial para a boa saúde mental, o que é compreensível quando você considera que as bactérias intestinais na realidade fabricam substâncias neuroquímicas como a dopamina e serotonina, juntamente com vitaminas que são importantes para a saúde do cérebro. Na verdade, você tem maior concentração de serotonina no intestino do que no cérebro.

Recomendo evitar todos os tipos de alimentos processados, inclusive os com certificação orgânica, já que os alimentos processados não são mais “vivos”. Você deve buscar alimentos integrais e não adulterados com os quais possa cozinhar (ou comer cru). Os alimentos processados são repletos de ingredientes que sabemos que alteram a flora intestinal e provocam inflamação, um convite à depressão.

Na luta contra a depressão, pode ser uma longa caminhada, mas se não der o primeiro passo, nunca chegará a cura. Procurar ajuda terapêutica, é a forma mais sensata de se amar e ter uma vida completamente saudável. A terapia não usa medicamentos, ela usa seu cérebro a seu favor.

Psicanalista Claudina Granzotto

 

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